Risco de câncer de mama é maior após os 40; veja como ficar fora dessa estatística

O câncer de mama chegou ao horário nobre. Gilda, personagem de meia-idade vivida pela atriz Heloísa Jorge na novela global “A Dona do Pedaço”, entrou para a estatística nacional: ela é diagnosticada com o tipo que hoje é a primeira causa de morte por câncer na população feminina brasileira. Só no ano passado, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), foram 59.700 casos e 15.403 mortes.

Na ficção, porém, o drama caminha para, por enquanto, um desfecho menos trágico. Tudo porque Gilda realizou o autoexame e detectou o problema em um estágio que, embora a tenha obrigado a passar por uma cirurgia para a retirada da mama, não era o mais avançado.


Tenha acesso aos melhores conteúdos informativos. Clique aqui e faça parte do grupo de Whatsapp da Conecta Longevidade!


O autoexame, no entanto, segundo Leonardo Ribeiro Soares, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia, não deve ser orientado como ferramenta para detectar o câncer de mama. “Denominamos hoje de autoconhecimento, uma busca para conhecer o próprio corpo e manter a saúde mamária. Deve ser feito sete dias após a menstruação [quem menstrua] ou escolher sempre o mesmo dia no mês [quem não menstrua]”, explica.

Então, como detectar a doença? O especialista indica realização de rastreamento mamário. Mas, embora a meta seja que ao menos 70% das brasileiras se submetam à mamografia, apenas 24% fazem o exame. E, com o passar do tempo, os riscos só aumentam. De acordo com o Inca, a chance de ter um câncer de mama cresce a partir dos 40 anos e chega a ser 10 vezes maior em mulheres a partir dos 60 anos.

câncer de mama

Gilda, personagem vivida pela atriz Heloísa Jorge na novela global “A Dona do Pedaço”, é diagnosticada com câncer de mama; Crédito: Globo/João Miguel Júnior.

Em relação aos estágios da doença, ela pode evoluir progressivamente do 0 ao 4. Quanto menor o número, maior a chance de cura, principalmente se o diagnóstico ocorrer cedo e a paciente responder bem ao tratamento. Na última fase, o câncer já se espalhou para outros locais do corpo e não tem mais cura. De qualquer forma, existem tratamentos que garantem mais qualidade de vida.

A seguir, o especialista responde às principais dúvidas sobre a doença.

Quais as causas do câncer de mama?

As causas conhecidas são os fatores de risco: idade, histórico familiar, dieta e atividade física. 

E os sintomas?

Na maioria dos casos, o câncer de mama se manifesta com um caroço, mas também pode se apresentar de outras formas: vermelhidão e pele endurecida, áreas estufadas, feridas que não cicatrizam, coceiras que não melhoram, saída de líquido do bico do peito de cor vermelha ou transparente como a água e caroço ou local endurecido.

Há exames preventivos?

Não denominamos exames de prevenção, pois não previnem o surgimento da doença, mas a descobrem no início. Para rastreamento do câncer de mama, recomenda-se mamografia anual a partir dos 40 anos de idade e antes disso para casos específicos de alto risco.

Pacientes com mamas densas, com grande proporção de tecido glandular, devem realizar também a ultrassonografia mamária em conjunto com a mamografia. Em alguns casos, indica-se a ressonância de mamas. Na presença de alguma alteração suspeita, biópsia.

Como identificar os fatores de risco?

Idade, menstruar cedo, menopausa tardia, história familiar, não engravidar e não amamentar são fatores naturais. Obesidade e sobrepeso, sedentarismo, alimentação irregular, má qualidade de vida, cuidado com a saúde e consumo de bebidas alcoólicas são fatores que só dependem da mulher.

O que fazer para prevenir o câncer de mama?

A prevenção não deve focar apenas nos fatores de risco associados ao câncer de mama, mas também nos de proteção. Alguns itens que aumentam o risco para desenvolver a doença, como obesidade na pós-menopausa, exposição à radiação em altas doses, exposição a pesticidas, terapias de reposição hormonal, sedentarismo, alcoolismo e tabagismo são passíveis de intervenção.

Já outros fatores, como sexo feminino, idade avançada, início da menstruação antes dos 12 anos, menopausa tardia, gravidez após 35 anos, história familiar para câncer de ovário ou de mama, alta densidade mamária e mutações genéticas (BRCA1 e BRCA2) não podem ser modificados.

Uma campanha do Ministério da Saúde, em 1997, trouxe a atriz Cássia Kiss realizando, em horário nobre de televisão, o autoexame de prevenção ao câncer de mama.

Então, como prevenir os fatores passíveis de intervenção?Mantendo o peso saudável, dieta balanceada, prática de atividade física, além de não fumar e não ingerir bebidas alcoólicas em excesso.

Para mulheres na menopausa, é aconselhável fazer reposição hormonal só quando necessário e sob orientação médica. No caso de haver história familiar para câncer de mama ou ovário, deve-se investigar para identificar a possível presença de uma predisposição genética hereditária e, com base nesta avaliação, tomar decisões sobre intervenções redutoras de risco.

Estima-se que, por meio da alimentação, nutrição e atividade física, é possível reduzir em até 28% o risco de se desenvolver a doença.

Quais os principais tratamentos para câncer de mama?

Só um mastologista saberá indicar a sequência ideal para tratar cada tipo de câncer de mama. O tratamento é individualizado, de acordo com o perfil da paciente e o tipo de tumor.

O médico decidirá o tipo de cirurgia, a melhor maneira de fazer o tratamento oncológico (quimio ou hormonioterapia prévios ao procedimento cirúrgico) e indicará outros profissionais, como oncologista clínico, radioterapeuta, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo, fundamentais para a sua melhora.

Se for necessária a retirada das mamas, a reconstrução pode ser feita quando?

A grande maioria das pacientes tem indicação para realizar reconstrução mamária imediata, ou seja, já na cirurgia de retirada da mama.

A reconstrução tardia ou a contraindicação para a reconstrução acontece apenas nos casos de carcinoma inflamatório, ausência de resposta à quimioterapia ou em pacientes que apresentem condições clínicas desfavoráveis a uma cirurgia longa.

This entry was posted in Longevidade e Saúde and tagged . Bookmark the permalink.